Tuesday, March 31, 2009

Vida e morte, Negratinta.

A vida deveria ser mais chata e injusta. E a morte podia acontecer assim, de uma hora pra outra.

leo bento
Brejinho. 31 de março, 2009.

Wednesday, February 25, 2009

LOMBOS, PRESUNTOS E MAMINHAS


Jorge Dancinha transmitia felicidade a quem chegasse perto. Era uma energia tão positiva que em um recinto fechado, as pessoas sentiam o ar umedecido e envolvente dos bons fluídos que saíam dos seus poros. A pele preta reluzia, os olhos cintilavam e os cabelos transmitiam uma textura digna de espanto. Isso ocorreu durante um ano, graças a Décio Cambalhota, seu tio materno, dono de uma ala da Unidos do Brejinho. Quando decidiu que o sobrinho já possuía idade o suficiente para desfilar no próximo carnaval, o tio fez logo o convite que foi aceito de ‘bate-pronto’. No início do ano anterior, chamou o garoto no canto e sob as condições de tirar notas boas em todas as matérias da escola, disse que ele poderia desfilar. O menino, não teve outra opção a não ser aceitar. Afinal, queria muito vir na passarela, com as pessoas da arquibancada aplaudindo, os turistas dos camarotes jogando presentes, encantar as passistas com aqueles passos que vinha treinando desde sempre, aquele que finge que vai, mas não vai e aquele outro que não finge e acaba indo. Enfim, ia se acabar. Daria o melhor de si. Sempre foi inteligente, seu problema era a preguiça. Como sabia que o Cambalhota era exigente, limitou-se a fazer os exercícios que os professores passavam para casa e as notas foram chegando. Ao término do ano letivo, conseguiu a façanha, foi o melhor aluno do colégio e assim que saiu o boletim foi correndo entregar ao tio, que vibrou e pediu para aguardar a chegada do carnaval. Foi o que Dancinha fez. Contava as semanas, os dias, as horas, os minutos e treinava como um desesperado em frente ao espelho, em suas poucas horas vagas. Mas achava estranho o tio não levá-lo à quadra e aos ensaios. Havia alguma coisa errada! Começou a desconfiar e todas as vezes que encontrava o tio, nada. Aquilo começou a angustiá-lo, até que as fantasias começaram a ser entregues. As pessoas tomavam coragem e no morro vinham buscar em carros luxuosos com motoristas, algumas vinham de táxi, outras ainda pagavam aos garotos da comunidade pra levar a fantasia e deixar no prédio com o porteiro. Como o tempo de Jorge Dancinha era ocupado com uma série de tarefas e atividades que sua mãe lhe impunha, nem essa graninha que os outros garotos estavam conseguindo ele sentiu o cheiro. Ia fazer o que? Estava feliz demais se preparando para o desfile e ao chegar o grande dia, sua fantasia ainda não havia sido entregue. Correu igual a um louco atrás de Décio Cambalhota que falou para ele não se preocupar e descer o morro com uma roupa branca para a concentração. Foi o que ele fez. Na concentração, ele identificou vários artistas televisivos – pensou em pedir autógrafo, uma porrada de cocota, várias mulheres dessas finas exibindo lombos, presuntos e maminhas. E quase ninguém da comunidade. Parecia até que estava na praia de Ipanema em dia de semana. Mas achou melhor se concentrar e fazer alongamentos para dar um show na hora que pisasse na passarela. Momentos antes de iniciar o desfile, o tio, o encontrou sambando à doidado ao lado da Rainha da bateria, uma apresentadora de TV de ancas e curvas hiperbólicas dos pés a cabeça. Ele fazia o maior sucesso com as pessoas que o viam motivadas por seu molejo e rodopios sem ter fim. Dancinha parecia ter molas nas pernas. Mas o tio, foi logo dando-lhe um esporro, gritou com o garoto para sair dali e foi puxando pela orelha, o encaminhou para o lugar que era seu de direito. Segundo o tio, o menino desfilaria atrás do carro abre alas. Jorge Dancinha o empurraria com o pessoal da ala chamada FORÇA. E isso se daria até a dispersão.

Brejinho. 26 de fevereiro, 2009.
leo bento

Sunday, January 25, 2009

Sibiriri e o Capetal

Sibiriri estava indo ao banco solicitar um talão de cheque por conta de uma eventualidade. Precisava pagar estudos mais aprofundados e o pagamento só podia ser realizado através de cheque ou cartão de crédito. Chegando à agência foi direto conversar com uma atendente metida a gerente. Mas pelo naipe da figura, tu percebia logo que era uma funcionária como outra qualquer, assalariada e sem muito interesse em crescer profissionalmente, principalmente se, com um olhar mais apurado, conseguisse roubar-lhe um sorriso que era mal dado e cheio de atropelos. Mas, não estou aqui para ficar analisando sorriso de funcionária de banco, pelo amor do que é mais sagrado. Então, Sibiriri mal fez o pedido do talão e a engraçada ofereceu-lhe um cartão que possuía um crédito sete vezes superior ao seu salário. Daria para pagar o curso, cancelar o talão, comprar aliança, financiar a geladeira, o fogão e conforme ia pensando nessas novas e importantes aquisições, os olhos iam fechando e com o cartão ele entrava no supermercado pegava granola, pão árabe, queijo prata, o chedar, o minas, pedia 500g de passas, pegava suco de caixinha, uns quatro para satisfazer sua necessidade, voltava na prateleira onde pegou a granola e passava a mão na proteína de soja, logo a frente tinha Yogurt, olhava para o sorvete e ficava puto por que os pais estão diabéticos e não podem encontrar o danado na geladeira senão arrasam com a guloseima. Continuou no caminho escolhendo verduras, frutas , não todas por que o mamão papya nunca está de bom humor lá no Brejinho. Não esqueceu de nada, passou o cartão no caixa e pediu ao guri para levar as mercadorias em sua casa. Entrou no Onça Calçados ao lado da Bica da Mulata, experimentou um Adidas azul, um All Star branco de couro e um tênis desses de cano longo que os jogadores de basquete estão acostumados a usar, e o cartão mais uma vez estava lá para ajudar. Do outro lado da rua entrou num brechó e foi escolhendo a moda da década de 70 que iria compor seu guardaroupa. Blusas coloridas, calças quadriculadas, tap para esconder os dreads nos dias de chuva e por aí vai. Por último foi almoçar e na hora de passar o cartão, aquele crédito superior ao seu salário sete vezes , já havia expirado. E pior, nem havia conseguido pagar os estudos, que era o seu objetivo principal. Ficou se perguntando como faria para explicar a dívida no mês seguinte para a sua amada que se encontrava em casa de vestido quadriculado na altura do joelho, avental, cabelo esticado, bob para dar um volume extra e lenço amarrado na cabeça para disfarçar o cabelo que poderia ser melhor trabalhado. Sibiriri ao perceber aquela cena fora dos padrões decidiu abrir os olhos cerrados durante uns 3 minutos enquanto a moça, já nervosa pela ausência do cliente que queria apenas um talão de cheque, a olhou no fundo dos olhos e com uma tirada magistral, informou que o cartão podia ficar para uma outra oportunidade. Na mesma hora ela deixou os chifres aparecerem sob as mechas loiríssimas e disse a Sibiri que ele voltaria ali em breve, pois ela estava a serviço do capetal e que ninguém na atualidade consegue se manter longe de um crediário, de um talão de cheques e de gastar mais que o necessário.

Brejinho. 25 de janeiro, 2009.
leo bento

Wednesday, December 24, 2008

Feliz solstício de verão!


Desejo a todas e todos os visitantes do blog, um feliz solstício de verão. Embora esse ano, segundo cálculos astronômicos, este tenha ocorrido no dia 21. Gostaria de enegresser que, baseados na observação, algumas tribos da península asiática, mais conhecida como europa, constataram o fenômeno do solstício no hemisfério norte. Ele ocorre quando a incidência da luz solar sobre a Terra, tem maior duração em relação a sua ausência num intervalo de 24 horas. E esse dia era comemorado para marcar a vitória da LUZ sobre a minha, a sua e a nossa escuridão. Daí, a cristandade se apropriou do dia, da festa que era pagã, colocou como elemento central a figura do Papai Noel (velho pedófilo na minha concepção) e transformou tudo numa grande jogada de marketing a favor do capitalismo. Mas nem tudo está perdido. Ainda há espaço para a esperança. Ainda há espaço para a luta por dias melhores. Ainda há espaço para a reflexão. E se necessário, ainda há um espaço enorme no freio, para ali depositar o pé cheio de calos, joanetes, unhas encravadas, dentre outros e dar uma volta de 180º para tomar um rumo adverso ao anterior. E a partir de agora só me resta baixar a crista, reconhecer os ensejos populares por dias melhores e desejar do fundo de minh'alma PAZ, HARMONIA e MUITAS CONQUISTAS, MUITAS CONQUISTAS!

Brejinho, 24 de Dezembro de 2008
leo bento

Monday, December 15, 2008

Toma seu cachorro

Com a frase: - "Toma seu cachorro!" Muntazer al-Zaidi arremessa um par de sapatos contra o atual presidente do mundo e por incrível que pareça, erra o alvo. Faltou depositar em seu ato, o amor que muitas pessoas nutrem por aquele senhor ao redor da Terra.

Brejinho, 15 de dezembro de 2008
leo bento

Sunday, December 14, 2008

VIDA

Esperança tinha 21 anos quando soube de sua quarta gravidez. Resolveu guardar consigo o segredo, até onde desse. Afinal, um dia a barriga ia crescer e num ia dar pra esconder de mais ninguém. Á noite, Félix, seu marido, chegou no barraco desesperado. Havia perdido o emprego. Ela sabendo como seria difícil a vida dali pra frente, tomou chumbinho antes de deitar. Guardou consigo o segredo e dormiu pra sempre.

Brejinho, 14 de dezembro de 2008
leo bento

Sunday, December 07, 2008

Sim, nós podemos?!

Colonizados do mundo
não precisam mais se unir
a democracia agora tem um presidente
que te representa
agora vocês podem sorrir
a mudança chegou
não precisamos mais pensar
em fome, guerras ou desrespeitos
vamos nos confratenizar
tratá-lo de irmão como fizeram
Santos, Mugabe e Obiang
esses que juntos
têm mais tempo no governo que
o representante da ralé mundial
possui de idade
mas antes de sorrir novamente
não se esqueçam que o nosso representante
carrega na camiseta as cores azul, vermelha e branca
que a nostalgia ainda não nos permite ver
mas com certeza
elas estão estampadas no fundo do seu peito.


Brejinho. 7 de Dezembro, 2008
leo bento